Estamos no Limiar do Surgimento da Moda Circular e Responsável

09/04/2019

A aplicação do modelo da economia circular para redesenhar a indústria de vestuário para que ela funcione de forma benéfica às pessoas e aos ecossistemas desafiará a indústria desde o fornecimento dos materiais e escolhas químicas,até as decisões de fabricação, modelos de negócios e opções de consumo. Este modelo permitirá que o setor de vestuário seja uma força do bem, para colocar melhores práticas em ação hoje e apoiar a inovação do setor no futuro próximo.Isso significa colocar em prática um sistema em que materiais saudáveis para a pessoas e o meio ambiente são usados continuamente, a água é conservada limpa e a energia é de fonte renovável, e as pessoas trabalham com dignidade.

Atualmente existem muitas barreiras para a indústria da moda alcançar um modelo de negócios circular e colaborativo. Algumas delas são primordiais para alcançar um novo modelo mais sustentável, especialmente a transformação de uma cadeia de suprimentos que é tradicionalmente linear e uma mudança na cultura de negócios que hoje depende do fast fashion. Para tanto, é preciso avançar muito em aprofundar o conhecimento limitado atual das abordagens circulares e reconhecer onde está de fato a demanda dos consumidores por produtos melhores e por modelos de serviço e de compartilhamento.

Mas como a indústria da moda poderia começar já a dar escala à adoção de modelos de negócios mais circulares e acelerar a transição para uma economia circular?

O elatório* “Produção e Consumo Circular em Fashion e além”, resultado das discussões do Forum Liderança ODS no “Objetivo 12: Consumo e Produção Responsáveis”, promovido em março pela Globe Scan e C&A Foundation,apresenta alguns insights vindos do próprio setor, que resumimos a seguir:

Três elementos são necessários para progredir:

  1. Ações colaborativa dos     principais participantes do setor para criar e definir um propósito e uma     estrutura para iniciativas circulares.
  2. Provas demonstráveis de     iniciativas bem-sucedidas que empregaram visivelmente o modelo circular     para ajudar a obter apoio da indústria.
  3. Expertise aplicado a soluções criativas e uma     mentalidade focada no futuro – que já são características da indústria da     moda.

Para enfrentar esses desafios será necessário uma ampla gama de soluções. Para tanto será preciso desenvolver várias competências-chave em especial: posicionamento de liderança, abordagem holística dos problemas, capacidade de colaboração e parcerias, e foco em inovação. Inicialmente, um case de negócio forte seria capaz reunir o setor de forma mais ampla e ajudar a vender os benefícios da qualidade e durabilidade aos consumidores.

A capacitação de designers, profissionais do varejo e fornecedores para criar uma compreensão dos processos e princípios circulares, e também ações para tornar os consumidores conscientes do impacto de seus hábitos de compra e educá-los na economia circular, são fatores cruciais para desenvolver novos produtos e dimensionar novas iniciativas de modelos de serviço dos produtos. Em paralelo,influenciar a criação de incentivos e mudanças regulatórias tem um papel fundamental na aceleração da mudança para princípios circulares.

Quatro lições principais podem ser retiradas de outros setores:

  1. Ser um precursor para a     evolução circular destacará as marcas e varejistas líderes e ajudará a     desencadear mais ações.
  2. Parcerias são fundamentais     para permitir dar escala aos projetos piloto (em consonância com o ODS17).
  3. Identificar estudos de     casos relevantes e elementos de modelos bem-sucedidos e aplicar aqueles     que contribuem para o sucesso. Rotas “testadas e aprovadas” são     facilitadores efetivos de resultados positivos e podem promover a     colaboração entre empresas.
  4. Comprometer-se e demonstrar     paixão pelo processo de desenvolvimento de novos padrões de qualidade e a     adoção de modelos de negócios circulares por meio de influência, marketing     ou campanhas pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma     ação.

Por fim, para aumentar a conscientização sobre o tema, incentivar a mudança e acelerar a adoção de modelos circulares e de compartilhamento foi identificada como uma necessidade urgente a criação de plataformas de compartilhamento que possibilitem o progresso em toda a cadeia de valor e a colaboração de vários atores interessados na criação de uma rede para negócios circulares. O desenvolvimento de estratégias e combinação de forças de trabalho para processos mais eficientes parece ser o caminho para acelerar a transição para uma indústria da moda mais sustentável, circular e responsável.

 

Alexandre Gobbo Fernandes integra o coletivo Moda Circular e Responsável, que será lançado no dia 9 de maio, em Blumenau (SC), durante o SCMC Talks.

Inscreva-se no evento e venha discutir conosco os caminhos para uma produção mais sustentável: Inscrições.

Saiba mais sobre a atuação do coletivo em: Instituto By Brasil.

*Circular Production and Consumption in Fashion and Beyond, C&A Foundation e Globescan, 2019. 

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